O Colaborador da Empresa Contábil na Era Digital

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Há poucos anos quando se buscava por uma reposição de vaga dentro de uma organização contábil, imediatamente se pensava em um profissional que fosse hábil na digitação, organizado, familiarizado com papeis e rotinas e que possuísse conhecimento técnico suficiente para realizar seu trabalho a contento.

Hoje, parece que as coisas mudaram tanto que as pessoas com o perfil anteriormente descrito podem não ser as mais adequadas à realização de tais tarefas.

Acontece que estamos vivendo a era digital, onde dados são produzidos e armazenados instantaneamente e o trabalho que outrora era realizado por seres humanos, hoje pode ser realizado por máquinas.

A ideia aqui é refletir sobre a ação das pessoas, pois são elas que podem impulsionar a sua empresa ou podem deixá-la estagnada e perder cada vez mais a competitividade.

Neste artigo vamos fazer uma breve retrospectiva da Contabilidade nos últimos anos, para tentar entender de que forma isso impactou no perfil do colaborador da empresa contábil.

Uma Breve Retrospectiva da Contabilidade Recente Brasileira


A Contabilidade no Brasil começou a se modificar sobremaneira a partir do advento da internet, pelos idos de 1990, e também após o surgimento de alguns sistemas informatizados governamentais.

Veja alguns marcos:

  • Ano 2000: surgiram os primeiros softwares integrados de contabilidade, que passavam a permitir a gestão administrativa e financeira, integradas às áreas contábeis e fiscais.
  • Ano 2007: a contabilidade passou a conviver com a Nota Fiscal Eletrônica e logo em seguida com o SPED – Serviço Público de Escrituração Contábil. O Governo Federal dava os primeiros passos na informatização da relação entre o fisco e seus contribuintes.
  • Ano 2010: ocorreu a convergência da Contabilidade Brasileira aos padrões europeus, fato este que abalou profundamente a cultura contábil brasileira, já que o padrão denominado IFRS (International Financial Reporting Standards), fez a passagem de um modelo contábil positivista para um modelo fenomenológico, os quais são axiologicamente antagônicos.
  • Para completar o ciclo, recentemente fomos afetados por um outro tsunami denominado de inteligência artificial, onde robôs fazem os trabalhos que outrora eram realizados por pessoas. Ufa!!! Difícil a adaptação a tudo isso, não?

Agora que já comentei sobre as principais mudanças que surgiram no sistema contábil brasileiro nos últimos anos, ficam evidentes os impactos dessas mudanças no trabalho realizado pelos colaboradores da empresa contábil, não é mesmo? Vamos entender um pouco mais a fundo o que acontece com nossas equipes de trabalho?

A Zona de Conforto e a Zona do Medo


Mesmo considerando que uma boa parcela do trabalho operacional das empresas contábeis pode ser realizado por softwares inteligentes, nós sempre precisaremos das pessoas… talvez em menor número, mas sempre precisaremos delas.

 Acontece que as pessoas são sensíveis ao que acontece à sua volta. Quantos colaboradores da sua empresa ficaram um pouco perdidos e até mesmo atordoados com o que aconteceu no mercado nos últimos anos?

Eu imagino que você tenha respondido que “sim, vários colaboradores ficaram meio perdidos com tanta mudança”. É aí que entra a liderança, pois um líder mostra o caminho, mostra que é preciso mudar e diz como fazer isso… um líder passa segurança para sua equipe. Mas isso é assunto para um próximo post.

O fato é que, por conta da nossa própria natureza humana e também pela falta de um líder, para orientar e dirigir, é preciso atenção redobrada para evitar as zonas de conforto e do medo, que acometem quase todas as pessoas.

Especificamente falando do profissional que trabalha no segmento contábil, parece haver uma tendência ao comodismo e ao medo da mudança. Isso pode ser justificado pela realização constante de trabalhos repetitivos, que podem induzir as pessoas a não buscar novas maneiras de realizar essas tarefas. A repetição desta rotina por muito tempo pode levar a um certo bloqueio às novas tecnologias e metodologias de trabalhos.

Essa “alienação laboral” pode causar enormes prejuízos a uma empresa contábil, pois o maior custo destas organizações é a remuneração da força de trabalho.

Mas como resolver essa questão?

Percebendo Desajustes nos Colaboradores.


Alguns indicadores podem ajudar você, gestor ou líder de equipe, a avaliar o perfil profissional da sua equipe, para descobrir se ele está adequado ou se precisa de ajustes. Entre outros fatores é importante ficar atento como cada profissional reage às seguintes situações:

  1. Aceitação, receptividade e aptidão com novas ferramentas tecnológicas;
  2. Adaptação às novas formas de organizar e gerir a empresa;
  3. Rapidez e facilidade de ordenar pensamentos lógicos para solucionar pequenos problemas encontrados no dia a dia;
  4. Capacidade de construir conhecimento digital visando ligar dados e produzir informações úteis.

Resolvendo Problemas de Adequação das Pessoas


Pode ser duro, mas é preciso partir do pressuposto que a empresa requer profissionalização, e isso requer ações firmes por parte de gestores e líderes de equipes.

Empresas “caridosas” que empregam pessoas levando em conta critérios de afinidades, quase sempre se tornam empresas pouco competitivas. Essas empresas, dentro do atual cenário da contabilidade, são sérias candidatas ao fracasso. Isso porque cada vez mais nos deparamos com empresas contábeis mais agressivas em suas campanhas de marketing, que cobram baixos  honorários, sufocando  definitivamente seus concorrentes pouco competitivos.

No fundo, grande parte do trabalho operacional que é realizado pelas empresas de contabilidade se tornou uma commodity, e o preço é o grande diferencial competitivo, exceto para empresas contábeis que prestam serviços especializados a seus clientes. Aliás, eu falo um pouco mais a fundo sobre a questão da escalabilidade ou da oferta de serviço especializado nesse artigo aqui.

No entanto, é possível ajustar o perfil de cada colaborador dentro do novo viés imposto pelo próprio mercado tecnológico e esse, aliás, passou a ser um dos grandes desafios de gestores de empresas contábeis na atualidade.

A seguir apresento algumas ações que podem fazer a diferença:

  1. Avaliar cada colaborador levando em conta a efetiva entrega de trabalho, pois aqueles que pouco produzem precisam ser observados para corrigir eventuais carências. Tais correções podem se dar de diversas maneiras: treinamentos e incentivos à busca pelo conhecimento digital, entre outras ações de melhorias;
  2. Após esgotadas as tentativas internas de qualificação sem sucesso, é preciso buscar no mercado profissionais com mentalidade aberta, dispostos a aceitar novos desafios, com facilidades para manusear novas ferramentas e que tenham o “novo” como objetivo a ser conquistado todos os dias.

Partindo do pressuposto que nossas empresas somente vão continuar ativas se nós e nossos colaboradores nos adaptarmos às mudanças a tal ponto de interagirmos naturalmente com elas, rever o perfil do nosso quadro de colaboradores é condição sine qua non para competitividade de nossas empresas no novo mercado.

Empresas contábeis que não tenham como objetivo tornar suas equipes altamente competitivas, com condições de dobrar a produtividade nos próximos anos, certamente ficarão significativamente atrás de seus concorrentes.

Diante de tudo isso percebemos que precisamos de profissionais contábeis digitais, que tenham condições de realizar a conexão digital de pessoas, empresas, dispositivos, processos e sistemas em todas as áreas afetadas por uma organização contábil, pois hoje tudo está digitalmente conectado.

O sucesso da sua empresa contábil será definido pela maneira como você empresário e sua equipe se adaptarão a essas mudanças ao ponto de serem capazes de aprender e interagir com ela.


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