Ter ou Não ter um Sócio: Eis a Questão

Tempo de leitura: 13 minutos

Vantagens e Desvantagens de Estar Sozinho ou Acompanhado na Direção de Uma Empresa Contábil

Muitos me perguntam: vale a pena ter sócios numa empresa contábil?

A resposta a esta pergunta é difícil, pois trata-se de um assunto bastante complexo e não existe uma resposta pronta ou única. Há muitos fatores que influenciam nessa questão e passaremos a apresentá-los a seguir.

Então, se você está pensando em ter um sócio ou em deixar de ter um, continue lendo, pois tenho algumas dicas bem importantes para você.

Eu vou te mostrar os principais motivos que levam as pessoas a buscarem sócios, os que as levam a pensar em acabar com uma sociedade e também as principais vantagens e desvantagens de ter ou não ter um sócio na sua empresa.

Por fim, depois desta análise, caso opte mesmo por abrir uma sociedade, vou te mostrar o passo a passo para fazer isso. Vamos lá?

Motivos para buscar um Sócio


Antes de mais nada, vale a pena refletir sobre o motivo que o está levando a pensar em ter um sócio. Esse é o ponto de partida. Para ajudá-lo nesta reflexão, veja os principais motivos que levam as pessoas a partirem para essa busca:

  • Falta de dinheiro para investimentos;
  • Falta de conhecimento técnico ou administrativo para tocar o negócio;
  • Insegurança para cuidar da empresa sozinho;
  • Redução de riscos, já que se o negócio não der certo você perde menos dinheiro;
  • Falta de experiência para gerir o negócio.

Certamente você vai perceber, analisando com calma, que alguns dos  motivos elencados acima podem ser resolvidos sem que você precise ter um sócio.

Eu afirmo isso porque no mercado você encontra solução para boa parte dessas questões: captando dinheiro em bancos, contratando pessoas qualificadas, etc.

No entanto, cada caso é um caso. Pode ser que a sua situação específica requeira sim a presença de um sócio, até porque o envolvimento de um sócio tende a ser bem maior do que o de um funcionário.

Mas também pode ser que você possa resolver sua situação através da contratação de um colaborador, ou mesmo de um executivo bem remunerado.

Resumindo, cabe somente a você a análise e a escolha entre ter um sócio ou ter uma pessoa contratada para resolver alguns dos problemas de sua empresa.

Indo em frente, eu vou te apresentar algumas vantagens de ter um sócio, para ajudá-lo a fazer a análise de todas essas questões de maneira mais profunda.

Vantagens de ter um sócio


Muitas podem ser as vantagens de ter sócio, e dentre as mais comuns podemos destacar:

Duas cabeças pensam melhor do que uma

Muitas decisões e análises precisam ser tomadas no dia a dia de qualquer empresa. Envolver mais pessoas para esse processo tende a enriquecê-lo e isso pode ser algo bastante favorável.

Dividir responsabilidades

Certamente que uma empresa exige muito trabalho e proatividade. É bom poder dividir responsabilidades, para que o dia a dia não se torne muito pesado para apenas uma pessoa.

Caminhar mais rápido

Juntas as pessoas tendem a ir mais longe e em menor tempo. Essa regra vale tanto para questões financeiras, pois com mais dinheiro é possível impulsionar o negócio, como na maior abrangência de ações, já que em conjunto é possível dar passos mais longos e chegar mais rápido ao destino.

Mitigar riscos

Sempre é bom ir com calma, para não investir todos os seus recursos em um único projeto. Neste sentido, dividir o aporte financeiro entre os sócios faz com que cada um tenha seus riscos também divididos.

A experiência que agrega valor

Partindo do pressuposto que seu sócio já tem uma experiência acumulada numa área que talvez você não tenha, certamente que isso poderá contribuir bastante para o sucesso do negócio.

Continuando nossa análise, veja a seguir alguns dos motivos que levam as pessoas a pensar em dar fim a uma sociedade.

Motivos para Acabar com uma Sociedade


Caro leitor, pode ser que você nunca tenha tido um sócio.

Mas se já teve, é provável que concorde comigo sobre os motivos que podem levar alguém a não querer ter um. São eles:

  • O dinheiro investido no negócio não foi suficiente e logo faltou capital de giro;
  • O sócio não conseguiu dar vazão às demandas técnicas que encontrou pelo caminho;
  • A gestão do negócio foi um fracasso;
  • Houve dificuldade para tocar o empreendimento, pela falta de experiência;
  • Houve desentendimentos entre os sócios: desonestidade, brigas, falta de transparência, falta de afinidade, entre tantas outras.

E você? Está fazendo a análise da sua situação em relação à possibilidade de abrir ou não uma sociedade?

Continue lendo e analisando agora quais são as desvantagens de ter um sócio.

Desvantagens de ter um Sócio

Como qualquer escolha, a de ter um sócio também apresenta algumas desvantagens. São elas:

Divisão dos lucros

Imaginando que você poderia, em tese, conseguir sozinho quase os mesmos resultados contando com a ajuda de colaboradores, isso pode ser considerado um ponto negativo.

Perda do controle do negócio

Em uma sociedade, nem sempre você detém o controle do negócio, pois o seu controle será sempre dividido entre os sócios.

Engessamento e demora na tomada de decisões

O mundo dos negócios exige cada vez maior velocidade na tomada de decisões. A gestão compartilhada com um sócio tende a ser mais lenta e engessada, e por consequência pode atrasar a tomada de decisões importantes.

Desentendimentos e desacordos

Uma atividade desenvolvida com mais sócios precisa levar em conta a opinião deles para a tomada de decisão. Isso pode resultar em desentendimentos e desacordos que podem causar sérios transtornos aos envolvidos.

Analisando os dois lados com calma


Agora é hora de analisar e refletir calmamente sobre todas essas informações. Vale a pena também conversar com amigos, que poderão aconselhá-lo sobre as melhores alternativas para que assim você possa tomar sua decisão com mais segurança.

Nesta linha de raciocínio, talvez seja o caso também de buscar a ajuda de um profissional especializado, como um advogado, ou até mesmo trocar ideia com um colega contador.

A questão é que você precisa amadurecer cada uma das análises apresentadas e não deixar de prestar atenção a todos os detalhes envolvidos com cada um dos caminhos que você pode seguir.

Como vimos, tudo tem dois lados! Vantagens e desvantagens, como quase tudo na vida.

Você pode até ter mais ideias para seu negócio, pois vimos que “duas cabeças pensam melhor que uma”.

Mas pode ser também que essas mesmas ideias levem vocês a desentendimentos, não é?

Pode ser que você até caminhe mais rápido com um sócio. Mas dependendo da personalidade dele e da sua maneira de tomar decisões, pode ser que isso, ao contrário, leve sua empresa a ficar mais lenta. 

Olha aí os dois lados de novo! Analise-os com cuidado e pense na sua realidade, antes de tomar qualquer decisão.

Não seja apressado, pois decisões como essas são muito importantes, pois envolvem a vida de muitas pessoas: a sua, da sua família, seus colaboradores e suas famílias e também a vida do seu eventual novo sócio.  

Eu quero mesmo ter um Sócio!


Se depois de ler tudo o que falei sobre motivos, vantagens e desvantagens você chegou à conclusão de que quer ir mesmo em frente com a ideia do sócio, vamos  lá!

Eu vou te mostrar os passos a serem seguidos para que você atinja esse objetivo a contento:

Primeiro passo: Defina claramente o que você quer

Então, aqui partimos do pressuposto que você já refletiu bastante sobre as vantagens e desvantagens de uma sociedade e está decidido a seguir em frente para abrir uma, certo?

Neste primeiro passo você precisa definir exatamente o que você espera e quer deste sócio.

Qual o perfil que esta pessoa precisa ter? É um perfil mais técnico ou mais comercial? E em relação ao aporte de capital, qual é o montante mínimo necessário?

Veja que esta definição precisa ser feita e definida antes mesmo de você tentar localizar esse candidato a sócio.

Vamos imaginar um caso prático, partindo do pressuposto que os motivos que levaram você a pensar em ter um sócio foram:

  • Aumentar o investimento financeiro no negócio;
  • Suprir uma deficiência técnica que você tem

A primeira coisa a fazer quando você estiver recrutando candidatos, é ver se o pretenso sócio tem disponível o dinheiro que você imagina ser necessário. Em segundo lugar, é preciso fazer uma análise profunda sobre a capacidade técnica dele e avaliar se ele pode atender a sua necessidade.

Segundo passo: Selecione Candidatos

Chegou a hora de buscar candidatos à vaga de sócio da sua empresa!

Faça uma análise no rol de pessoas de seu relacionamento.

Procure identificar aquelas que você já conhece há bastante tempo e que você não tenha tido conhecimento de qualquer fato que a desabonasse durante esse período.

Procure analisar se a pessoa tem os requisitos que você precisa. Depois disso, procure sondar para avaliar qual a real possibilidade dessa pessoa aceitar um convite seu.

Você até pode começar a sinalizar sobre suas intenções, mas tenha cautela.

Não avance antes de cumprir o próximo passo, pois ele é importantíssimo.

Terceiro Passo: Avalie Compatibilidade de Valores

Você já tem um candidato em vista e considera que ele pode suprir suas necessidades, mas antes de qualquer decisão é fundamental que você avalie se há compatibilidade de valores entre vocês dois.

Certamente que estou me referindo a valores primordiais para que o negócio possa dar certo, entre os quais destaco os principais: ética, transparência, honestidade, engajamento, dedicação, empenho e  responsabilidade, entre tantos outros.

Talvez você possa estar se perguntando onde poderá buscar tais respostas. Afinal, não será possível obtê-las através da pessoa que você está querendo convidar para ser seu sócio, pois é óbvio que ela jamais irá reconhecer que não tem valores tão primordiais para qualquer empreendimento.

Para resolver esse problema, você terá que buscar referências dessa pessoa, quer seja através de amigos, conhecidos ou mesmo através da internet. De qualquer forma, saiba que sempre haverá o risco de que mais tarde você descubra que essa pessoa não tinha alguns desses valores que você imaginou, por mais que você busque referências.

Você percebe que a busca por um sócio pode ser uma tarefa tanto complexa quanto demorada?

Antes de se decidir por este ou aquele sócio, pare e pense sobre os valores que você julga muito importantes para seu negócio e que você não abre mão.

E também tente pensar nas principais maneiras de você aferir a veracidade das informações sobre o pretenso sócio.

Caso tenha obtido um sinal verde em relação a todos os requisitos necessários, mencionados acima, fale com a pessoa e demonstre os motivos que levaram você a buscá-la como sócia da sua empresa.

Tratando-se de uma sociedade que, em tese, está sendo feita para ser duradoura, é preciso ter calma.

Dê tempo ao tempo, conversem bastante sobre as perspectivas do negócio, sobre os planos futuros para a empresa e faça uma última reflexão para analisar se essa pessoa pode mesmo vir a fazer parte do quadro societário da sua empresa.

Feito isso tudo, podemos ir em frente e ver os principais cuidados descritos no passo seguinte.

Quarto passo – Formalizando

Uma vez tomada a decisão de ter uma sociedade, não esqueça de formalizar a relação.

Procure deixar claro quais as responsabilidades que cada sócio precisa ter. Estabeleça tudo de maneira minuciosa antes de dar início as atividades em conjunto, pois depois pode ser tarde, até porque coisas ou situações mal esclarecidas ou mal delimitadas tendem a causar confusão em um futuro breve. Regras claras e bem definidas, com certeza, vão balizar a relação e contribuir para o sucesso da sua empresa.

E se a sociedade não der certo?


Mesmo com todos os cuidados descritos neste artigo não é possível garantir que uma sociedade vai dar certo, pois há pessoas envolvidas no processo.

E cada pessoa é um universo imenso: há emoções, sonhos, temperamentos e características que são únicas… e muitas vezes incompatíveis com o de outra pessoa.

Assim, infelizmente, há chance de que a sua sociedade não dê certo.

Se não der, é importante saber a maneira mais correta e adequada para desfazer essa sociedade. Sempre é importante tratar as coisas com naturalidade, sem ofensas ou agressões, dentro de uma relação cordial. Isso traz vantagens e menos desgastes para ambos os lados. Da mesma forma, saber ceder um pouco pode ser a regra de ouro para todos se saírem bem.

Por fim, não deixe de aprender sobre o ocorrido e refletir sobre o que pode ser revisto ou melhorado, caso haja uma próxima oportunidade semelhante.



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Um grande abraço e até o próximo artigo!